28 de fevereiro de 2014

Resenha: O Pequeno Príncipe

Título Original: Le Petit Prince
Autor: Antoine de Saint-Exupèry
Ano: 1943
Editora: Agir
Páginas: 96
ISBN: 8522005230
Avaliação: ★★★★★ 

Sinopse: Livro de criança? Com certeza! Livro de adulto também, pois todo homem traz dentro de si o menino que foi. Le Petit Prince causa encanto a história do piloto cujo avião cai no deserto do Saara, onde ele encontra um príncipe, "um pedacinho de gente inteiramente extraordinário" que o leva a uma jornada filosófica e poética através de planetas que encerram a solidão humana. O pequeno Príncipe devolve a cada um o mistério da infância. De repente retorna os sonhos. Reaparece a lembrença de questionamentos, desvelam-se incoerências acomodadas, quase já imperceptíveis na pressa do dia-a-dia. Voltam ao coração escondidas recordações. O reencontro, o homem-menino.





  Um dos meus maiores desafios desde que iniciei o blog será posto a prova aqui: Resenhar sobre uma das mais fantásticas obras da literatura mundial, tentando transpassar toda a simplicidade e profundidade contida em suas páginas: O Pequeno Príncipe. 

  Todo adulto obviamente já foi um dia criança e, não seria diferente para aquele piloto que, quando criança, viu seu futuro como pintor ser frustrado ao desenhar uma jiboia digerindo um elefante, desenho este que era interpretado pelos adultos como um chapéu, o que irritava o garoto. Ele cresceu e decidiu "conhecer" (ainda que indiretamente) o mundo através da profissão que o coube. Numa dessas viagens, o motor do seu avião entrou em pane, obrigando-o a pousar no aquém do deserto do Saara. 

  E foi naquele marasmo que ele conheceu o garoto que mudou sua visão (e de todos) sobre a vida e tudo mais. Um garotinho, de cabelos dourados e roupa de príncipe. Um garotinho que, naquele momento, só queria um desenho de um carneiro.

"- Os homens esqueceram essa verdade [...] mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
Página 72

  Aos poucos o garotinho vai cativando o coração daquele aviador e conta toda sua história e os motivos que o fizeram para ali. Vindo de um planeta minusculo e distante, O pequeno príncipe "caiu de paraquedas" na Terra em sua sétima viagem, depois de conhecer os mais loucos inusitados planetas e seus habitantes solitários, como um rei que pensa que todos são seus súditos, um cidadão que afoga suas mágoas na bebida (mesmo que isso o envergonhe), um homem de negócios incapaz de olhar ao seu redor e focado apenas nos seus bens materiais, um acendedor de lampiões escravo do seu próprio trabalho, e outros.

  A estória é narrada pelo próprio piloto "anonimo", já que Saint-Exupery não deu-lhe um nome. Este fato nos leva a crer que o piloto é uma auto-descrição do autor (que também era piloto).

"[...] Eis o meu segredo. É muito simples: Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos."
Página 70

  O principezinho é o retrato fiel de uma criança na flor da sua idade: Curioso ao extremo com suas perguntas que exigem respostas sem "pontas soltas", sincero, carinhoso, cuidadoso (exemplos maiores ficam para seu amor para a sua única e exclusiva flor do seu planeta, assim como seus vulcões) e, acima de tudo inocente. A inocência, característica que os anos e a vida tratam de retirar das pessoas, foi a principal precursora em um dos finais de estórias mais emocionantes de todas que já pude ler.

  Outra característica marcante da obra são os diálogos carregados de profundidade e mensagens para serem refletidas.

"Tu julgarás a ti mesmo — respondeu-lhe o rei. — É o mais difícil. É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio."
Página 39
  Por fim, fica mais que indicada a leitura desse clássico e um dos meus livros mais lidos favoritos . Garanto que não irão se arrepender.

25 de fevereiro de 2014

Exposição revela que clássico 'O Pequeno Príncipe' é uma obra típica de Nova York

Fonte: Divirta-se

 Seu pequeno planeta fascinou gerações de leitores e todos conhecem sua insistência para que lhe desenhem uma ovelha. Mas poucos sabem que 'O Pequeno Príncipe', de Antoine de Saint-Exupery, nasceu em Nova York, um passado explorado por uma emotiva mostra aberta em Manhattan.

 A exposição 'O Pequeno Príncipe: uma história nova-iorquina' em homenagem aos 70 anos de sua publicação, será apresentada até 27 de abril na Biblioteca e Museu Morgan, que havia adquirido o manuscrito do livro em 1968. Com suas delicadas aquarelas, rabiscos e manchas de café, estas páginas são o coração da exposição que conta a concepção da obra, incorporando também fotos do autor, cartas e objetos pessoais.

21 de fevereiro de 2014

Série “Percy Jackson e Os Olimpianos” ganhará edição com novas capas

Clique para ampliar
A série de livros de Percy Jackson e Os Olimpianos, será relançada com novas capas nos EUA. Durante toda essa semana (17 à 21 de Fevereiro) as capas foram divulgadas individualmente com seu novo design.


Série Percy Jackson & Os Olimpianos: 

  1. O Ladrão de Raios [Resenha]
  2. O Mar de Monstros [Resenha]
  3. A Maldição do Titã [Resenha]
  4. A Batalha do Labirinto 
  5. O Último Olimpiano

Agora é esperar a Intrínseca fazer sua parte :)



Imagens: Tumblr oficial do Rick Riordan

14 de fevereiro de 2014

Resenha: O Chamado do Cuco

Título Original: The Cuckoo's Calling
Autor: J.K. Rowling, sob o pseudônimo de Robert Galbraith 
Série: Cormoran Strike, Livro 1
Ano: 2013
Editora: Rocco
Páginas: 448
ISBN: 978-972-23-5153-9
Avaliação: ★★★★
Sinopse: Quando uma modelo problemática cai para a morte de uma varanda coberta de neve, presume-se que ela tenha cometido suicídio. No entanto, seu irmão tem suas dúvidas e decide chamar o detetive particular Cormoran Strike para investigar o caso. Strike é um veterano de guerra, ferido física e psicologicamente, e sua vida está em desordem. O caso lhe garante uma sobrevida financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais ele mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrias ficam as coisas e mais perto do perigo ele chega. Um emocionante mistério mergulhado na atmosfera de Londres, das abafadas ruas de Mayfair e bares clandestinos do East End para a agitação do Soho. O chamado do Cuco é um livro maravilhoso. Apresentando Cormoran Strike, este é um romance policial clássico na tradição de P. D. James e Ruth Rendell, e marca o início de uma série única de mistérios.
 A vida de Cormoran Strike estava ultimamente findada ao fracasso: perdeu uma perna durante sua "estadia" no Afeganistão, a pouco havia levado um "pé na bunda" de sua ex-noiva Charlotte e agora se via obrigado a morar em seu próprio escritório, fato/informação que ele não se orgulhava muito em compartilhar. 

 Aposentado das suas atividades campais, Strike passa a trabalha como detetive particular, sem grandes sucessos. Depois de conseguir uma nova assistente/estagiária, Robin, surge a primeira grande investigação para ele: O casso Lula Landry. Lula era uma celebridade. Modelo rica, famosa e requisitada, no auge de sua carreira. Certa noite, ela é encontrada morta depois de despencar da janela do seu apartamento. Todos os indícios levam a crer que ela cometeu suicídio. Mas porque uma jovem tão bem de vida iria fazer isso? Esse é o principal motivador para o seu irmão John Bristow contate os serviços de Strike, acreditando ele que alguém teria interesse na morte de Lula, e por isso, executou a ação. 

  Numa narrativa instigante, Robert Galbraith (não tratarei como J.K. Rowling) desenvolve uma investigação que beira a loucura. Se realmente ela cometeu o suicídio, o que teria feito ela perder a cabeça? Caso alguém tenha a matado, qual motivo para isso? Duas simples perguntas e vários envolvidos que se encaixam precisamente em ambas. 

  Strike e Robin (mais Robin que Strike) são dois personagens cativantes, o que é um ponto positivo para a estória, ainda que eu tenha achado Robin não tão explorada/desenvolvida com o decorrer dos acontecimentos (não que sejam poucos) como deveria. Para que se possa entender o peso de ambos na trama, pode-se dizer que Strike e Robin são imagens de Poirot e Hastings ou Sherlock e Watson, por exemplo (guardando - OBVIAMENTE - suas devidas comparações). A narrativa é lenta e levada mais na conversa que na ação sempre/normalmente presente em literatura policial. Ou seja, não esperem trocas de tiros incessantes, corridas contra o tempo, carros cortando o transito londrino... 
"Como era fácil tirar proveito da tendência de uma pessoa à autodestruição; como era simples empurrá-las para a inexistência, depois recuar, dar de ombros e concordar que este fora o resultado inevitável de uma vida caótica e catastrófica."
Página 375
 Sabe aquele enredo que você lê ansiando para que chegue o fim, não por ser ruim, mas por você não aguentar mais de curiosidade para descobrir os 'enfins"? Típico sentimento que se apresenta durante a leitura de O Chamado do Cuco. Quanto mais Strike mergulha naquele mistério, mais "suja" a coisa fica. E claro, como todos que acompanham minhas resenhas sabem, tentei descobrir a conclusão do livro, e confesso, errei feio. Surpreendente! Apenas isso poderei dizer.

  Leve, curto (apesar das quase 450 páginas) e preciso no que se propôs. Se o livro é bom? Sim, excelente!
  Ps.: Aconselho a leitura dele desgarrada do fato de ser escrito por quem é. 

8 de fevereiro de 2014

Saturday's Quotes #6: Anne Frank

De minha parte, continuarei em silêncio e distante, e não pretendo fugir da verdade, porque quanto mais ela for adiada, mais difícil será eles aceitarem quando precisarem ouvi-la.”
Você pode me dizer por que as pessoas se esforçam tanto para esconder seu eu verdadeiro? Ou por que sempre me comporto de modo muito diferente, quando estou perto dos outros? Por que as pessoas confiam tão pouco nas outras? Sei que deve haver um motivo, mas às vezes acho horrível não poder confiar em ninguém, nem mesmo nas pessoas mais próximas.”
Acho que a primavera está dentro de mim. Sinto a primavera despertando, sinto em todo meu corpo e minha alma. Tenho de me forçar a agir normalmente. Estou numa confusão absoluta, não sei o que ler, o que escrever, o que fazer. Só sei que estou sentindo falta de alguma coisa…”
Sempre que estiver sozinho ou triste, tente ir para o sótão num dia lindo e olhar para fora. Não para as casas e os telhados, mas para o céu. Enquanto puder olhar sem medo para o céu, saberá que é puro por dentro, e encontrará a felicidade outra vez.”
Um dia vazio, mesmo claro e puro
Como qualquer noite, é escuro.”

1 de fevereiro de 2014

Resenha: O Diário de Anne Frank

Título Original: Het Achterhuis - Dagboekbrieven / Das Tagebuch der Anne Frank
Autor: Anne Frank (Edição por Otto Frank)
Ano: 1947
Ano da Edição: 2013
Editora: BestBolso
Páginas: 378
ISBN: 9788577990009
Avaliação: ★★★★★ 
Sinopse: 12 de junho de 1942 – 1º de agosto de 1944. Ao longo deste período, a jovem Anne Frank escreveu em seu diário toda a tensão que a família Frank sofreu durante a Segunda Guerra Mundial. Ao fim de longos dias de silêncio e medo aterrorizante, eles foram descobertos pelos nazistas e deportados para campos de concentração. Anne inicialmente foi para Auschwitz, e mais tarde para Bergen-Belsen. A força da narrativa de Anne, com impressionantes relatos das atrocidades e horrores cometidos contra os judeus, faz deste livro um precioso documento. Seu diário já foi traduzido para 67 línguas, e é um dos livros mais lidos do mundo. Ele destaca sentimentos, aflições e pequenas alegrias de uma vida incomum, problemas da transformação da menina em mulher, o despertar do amor, a fé inabalável na religião e, principalmente, revela a rara nobreza de um espírito amadurecido no sofrimento. Um retrato da menina por trás do mito.
 1942, Holanda, Segunda Guerra Mundial. Hitler está no poder com sua filosofia nazista que dentre tantas características, oprime veementemente os judeus. Exatamente a "raça" da nossa Anne Frank e sua família. Aquela altura da sua vida, Anne era apenas uma garota de 12 anos que vivia com seus pais Edith Frank e Otto Frank, além do sua irmã primogênita Margot Frank
  
 Anne era uma garota normal como qualquer outra da sua idade, porém muito observadora. No dia do seu 13º aniversário, recebeu de seu pai um diário que marcaria uma história. Nele, ela contaria tudo que sentiria para Kitty (apelido do diário que ela própria inventou) daquele dia em diante. 
"O papel tem mais paciência do que as pessoas."
Página 19
 Tudo caminha "tranquilamente" (dentro do possível naquela época), até que sua irmã recebe uma carta do Escritório Central de Emigração Judaica, na qual é convocada (leia-se obrigada) para se apresentar a um centro de concentração nazista. Otto já havia preparado um esquema caso houvesse necessidade, necessidade essa que se fez evidente naquele momento. Eles tiveram que largar tudo em suas pacatas vidas e se refugiar naquele que viria ser chamado de "Anexo Secreto", um espaço escondida pequena no edifício do Opekta, que o próprio Otto administrava. Otto tratou de deixar indícios que eles haviam partido para a Suíça. 

 Não bastasse o lugar ser muito grande (perceba-se uma ironia aqui), a família Pels passa a morar com eles ali. (Hermann, Auguste e Peter Pels) e, mais tarde, Fritz Pfeffer também. Diferentes personalidades, ainda que por uma causa comum, convivendo constante e ininterruptamente num mesmo ambiente. A crise de convivência se instala. Anne passa a transcrever os horrores, sofrimentos e descobertas de uma garota com a infância e inocência arrebatadas pela guerra.
"Quem fez isso contra nós? Quem nos separou de todo o resto? Quem nos colocou neste sofrimento? É Deus que nos fez do jeito que somos, mas também é Deus que irá nos erguer no final. Aos olhos do mundo, estamos condenados, mas se depois de todo esse sofrimento ainda sobrarem judeus, o povo judeu servirá de exemplo. Quem sabe, talvez nossa religião ensine ao mundo e às pessoas sobre a bondade, e talvez este seja o único motivo de nosso sofrimento. Nunca poderemos ser apenas holandeses, ou ingleses, ou qualquer outra coisa, sempre seremos também judeus. E teremos de continuar sendo judeus, mas, afinal, vamos querer ser."
Página 291
 Uma história que daria um incrível livro dramático se inventada por algum autor. Mas não, não era essa a questão. Ainda que questionada por alguns sobre a veracidade de todos acontecimentos (desconfiando-se de Otto), a história conta a vida real de uma garota que viu sua vida virar de ponta cabeça. S Seja pelo simples fato da escritora ser a própria "personagem" que vivenciou aqueles traumas, por sua idade ou pelo teor do conteúdo, o diário passou a ser um dos livros mais fantásticos que li, tornando-se impossível se imaginar no lugar da garota e sofrer junto com ela. Seria possível alguém conseguir manter sua sanidade em uma situação como aquela? Alguns dos habitantes dali provaram que não. Infeliz e previsivelmente o desfecho não é bom para eles. [Spoiler]Todos foram mandados para campos de concentração. Uns morreram na câmara de gás, outros por fome, exaustão ou doenças. Otto foi o único a sobreviver ao holocausto. Anne Frank faleceu no campo de concentração Bergen-Belsen no fim de fevereiro de 1945 quando tinha 16 anos. [/Spoiler]

 Desnecessário citar que super indico essa "auto-biografia" para todos lerem. Nota máxima e favoritado!
"Sempre que estiver sozinho ou triste, tente ir para o sótão num dia lindo e olhar para fora. Não para as casas e os telhados, mas para o céu. Enquanto puder olhar sem medo para o céu, saberá que é puro por dentro, e encontrará a felicidade outra vez."
Página 223
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...